sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ecologia e Educação.

O meio ambiente está intrinsecamente ligado a todas as variáveis que afetam o desenvolvimento do ser humano no planeta, pois o mesmo faz parte desse sistema. O modelo notadamente antropocêntrico de cultura, onde o homem é o ente que altera todo o equilíbrio para o atendimento de suas necessidades, provocando a deterioração dos vários ecossistemas, com a captação de materiais da crosta terrestre, o processo produtivo, o uso bem produzido e o posterior descarte, impactou adversamente na qualidade de vida das populações.

O perfil antropocêntrico é uma característica histórica e cultural. Com o aparecimento da espécie humana no planeta, há 3,5 bilhões de anos e o processo evolutivo, nos primórdios as necessidades eram supridas numa relação equilibrada com a natureza, isto é, utilizando-se apenas o suficiente para o atendimento das necessidades básicas. As necessidades sociais, políticas e econômicas foram mudando e a relação com a natureza sofreu alterações significativas.
As características históricas e culturais podem ser moldadas através do processo educativo. Porém, deve haver uma transformação desse modelo, pois a profundidade da mudança deve afetar o processo civilizatório. As características e métodos atuais não acarretarão as transformações necessárias. A educação é o tópico mais importante para a mudança. E toda relevância, tratando-se de mudanças socioambientais, devem ser tratadas com rigor. O modelo cartesiano de ensino, voltado para o mercado, não possibilita a formação de seres humanos com visão crítica, radical ( no sentido de raiz, doxa ) e holística.

O grande potencial de transformação social da educação não acontece no Brasil. Existem "ilhas" escolares que são as escolas de luxo/particulaes e também grande aterro sanitário de ensino onde depositamos as crianças pobres. E as escolas privadas transformam-se em lugares de mero adestramento intelectual , onde os alunos são forjados ao ensino que possibilita a sua entrada numa faculdade, obedecendo-se a grade curricular arcáica.

As escolas são lugares abandonados do ponto de vista intelectual. E qualquer transformação terá resultado nas gerações posteriores, pois estes serão os tomadores de decisão. E qualquer decisão que não contemple todos os envolvidos (os stakeholders), poderá ser um prejuízo irreversível para a humanidade. É a educação que poderá desenvolver este lastro entre homem-natureza.

E como diz o pensador H. G. Wells: "A história humana é cada vez mais uma corrida entre a educação e o desastre".

O Ano da França no Brasil.

O Ano da França no Brasil é uma iniciativa do governo dos dois países, com o objetivo de aprofundar as relações bilaterias no âmbito cultural, acadêmico e econômico.
Coincidentemente e acatando a sugestão do meu amigo luso-brasileiro Roque, inicio a leitura do polêmico livro "O Vermelho e o Negro" , do francês Stendhal. A literatura francesa, assim como o cinema frânces, são emblemáticos para mostrar o perfil psicológico deste povo. É impossível não comparar os diversos personagens que representam estas artes. A senhora de Rênal, personagem principal do livro de Stendhal, e que se apaixona pelo jovem Julien, é muito mais incisiva e seca que a Madame Bovary, personagem histórico de Gustave Flaubert.

Faz quase um ano que ganhei de Izadora, uma amiga de infância de minha esposa e que por coincidência fala francês e hoje vive no Canadá, a obra completa de Honoré de Balzac. Este escritor francês foi de uma fecundidade extrema. Enquanto tento escrever um pequeno texto que começou a ser elaborado há dois dias, Balzac escrevia incessantemente por mais de 16 horas diárias. Ele morreu de tanto escrever. Em certa ocasião ele refez uma única página por dezoito vezes até atingir a perfeição que ele almejava. E no começo da carreira era considerado um escritor medíocre ( não querendo traçar o mesmo destino, é como eu me sinto nessa incursão bloguista ). As suas obras foram condensadas com o título "A Comédia Humana", que reúne 88 livros. Para quem deseja conhecer os meandros da imprensa e o jogo de interesse que permeia este poder da sociedade, sugiro a leitura de "Ilusões Perdidas". Este livro é fantástico.

No circuito alternativo de cinema, está em cartaz o filme "Há tanto tempo que te amo", com Kristin Scott Thomas no papel de Juliette Fontaine. Filme escrito pelo diretor francês Philippe Claudel, considero o melhor e mais doloroso filme exibido neste ano. A música que está no término da película, "Dis, quand reviendras-tu" tem uma letra bastante reflexiva de tudo que foi mostrado neste drama. Sugiro assistir ao vídeo desta música no youtube, cantadas ou por Bénabar ou por Jean Louis Aubert.

Para meu próprio deleite sou presenteado pela minha esposa com o livro "Um Homem Livre", que considero a biografia definitiva de Pierre Verger. Este personagem é bastante significativo se formos falar da relação Brasil-França. Verger teve uma infância característica da classe burguesa francesa do século passado. Ele percebeu que não suportaria passar o resto da vida vivendo em uma sociedade a qual as pessoas passavam o tempo tentando impressionar umas às outras. Ele intitulava os seus amigos de mesma classe social como papagaios instruídos. Verger frequentava com alguns amigos, em Paris, o Baile das Antilhas, onde a gente pobre originária dessa região dançava nos fins de semana e que foi a sua primeira referência ao amor pela cultura africana. Com uma máquina fotográfica em mãos e o desejo de liberdade, Pierre Verger roda o mundo, algumas vezes a sua viagem é feita em cima de uma bicicleta. Por nossa sorte ele se encanta com a Bahia e vive aqui o resto de sua vida. Seu nome muda para Pierre "Fatumbi" Verger, nome este consagrado pelo contato que tem com o candomblé. Foi amigo íntimo de Jorge Amado e de Carybé, que era um argentino também radicado na Bahia.

Por tudo que foi explanado, estou quase me matriculando em algum curso de francês. Para fechar com chave de ouro este intercâmbio cultural, estou estudando com afinco todos os livros básicos do Espiritismo e que foram codificados por Allan Kardec, francês de Lyon.
Mas deixo para outra ocasião o comentário que tenho para fazer sobre o clube de futebol PSG - Paris Saint-Germain.

Au revoir.

A Capoeira, o Futebol e o Blues.

Trabalhando por dois anos na região do Centro Histórico de Salvador, percebi algumas mudanças em decorrência desse processo intitulado de globalização. Esta mudança se faz nítida no jogo da capoeira. Esta percepção tem similaridade com o que ocorreu também com o futebol brasileiro nos últimos anos. Alguns capoeiristas de Salvador são adeptos do vigor físico exarcebado com ênfase na prática da musculação e treinamento de outras modalidades. Observando alguns grupos que se apresentam no Terreiro de Jesus, verifica-se que a melhor técnica dessa luta foi praticamente abandonada. Os golpes são desferidos sem a preocupação de alcançar o objetivo principal, que é acertar o adversário. Concorde que a velocidade com que são executados é enorme, porém são ineficientes. Tem-se a impressão de estar assistindo a um jogo de videogame.

O futebol brasileiro segue a mesma linha de atuação. Os jogadores são verdadeiras máquinas atléticas monitoradas por uma avalanche tecnológica de análises e gráficos. Calcula-se a velocidade média de cada jogador e quantos minutos eles retêm a bola. A técnica foi deixada para o segundo plano. Antigamente os jogadores tinham uma qualidade técnica absurda. Os fundamentos básicos desse jogo chamado futebol eram treinados exaustivamente. Eu tive o privilégio de ver Ademir da Guia jogar no Palmeiras. O seu epíteto era "Divino Maravilha". A forma como ele dominava a bola era simplesmente fantástica. Ele ficou nove meses sem errar um passe sequer. Hoje a história é bem diferente. Alguns jogadores não tem a menor intimidade com a bola. Os fundamentos básicos são praticados com bastante dificuldade. Chute, passe, lançamento, cabeceio não são familiares para vários deles. O jogo se tornou tão mecanizado que as principais características do jogador brasileiro (malícia, malandragem, improviso) foram menosprezadas. A ida desses "craques" para a Europa amolda-os a um sistema de jogo castrador. Não existe o atrevimento de tentar o drible (recurso que tem origem na ginga da capoeira e que é congênito da miscigenação do povo brasileiro).

Fazendo um paralelo com o jogo da capoeira, é hilário observar a dificuldade que o europeu tem para a ginga e as danças afro-caribenhas. O Centro Histórico de Salvador é laboratório aberto para observar esta situação. O encanto desse jogo possibilitou que a capoeira fosse difundida para mais de 120 países. Mas a diferença estética é notória. Porém não podemos perder a essência desse jogo. Ele não pode estabelecer padrões advindos de outras artes marciais. Os elementos da capoeira primitiva são tão necessários como o jazz e o blues das antigas plantações de algodão do sul dos Estados Unidos. O virtuosismo e a improvisação do "bebop", uma corrente do jazz, foi uma forma de impedir a hegemonia do músico branco. E a síncopa do "bebop" teve o mesmo efeito do drible desconcertante do primitivo jogador de futebol brasileiro. Depois que Muddy Waters foi para Chicago e "eletrificou" os instrumentos acústicos, alguma coisa preciosa, típica da passionalidade melancólica do negro, também ficou para trás.

A globalização é irreversível, porém as nossas características natas devem ser preservadas e respeitadas. Existe dinamismo na absorção de outras culturas e técnica, porém devemos nos preocupar em não perder a essência que nos diferenciam nos momentos decisivos. A rasteira e o drible podem ser fatais para dominar o adversário.

Dicas Gastronômicas de Salvador parte 01

Restaurante Axego.
Para quem está visitando a cidade de Salvador-BA, a minha sugestão gastronômica é o restaurante Axego, do meu amigo Manoel dos Santos Pereira, que fica localizado no Centro Histórico. É a culinária típica do Recôncavo Bahiano. Existe uma variedade enorme de crustáceos, peixes, carnes e aves. As minhas sugestões são: carne de fumeiro ou moqueca de aratu.

Na visita é imprescindível conversar com o Manoel. Ele irá explicar como teve início o restaurante. Uma muqueca de camarão, muito bem servida para duas pessoas, saí por menos de R$ 50,00.
endereço: rua: João de Deus - Pelourinho - próximo à Igreja de São Domingos.

O Rei do Pernil
Há 80 anos no mesmo endereço, a casa se especializou nos sanduíches de pernil, feitos por Manolo Moinho. Fica próximo ao plano inclinado Gonçalves. Com R$ 5,00 você degusta um sanduíche de pernil com queijo e um suco refrescante de caju. Esta é a minha refeição quando freqüento o local.

endereço: rua Conselheiro Saraiva, 32 - Comércio. tel: 71 3242-8270 ( 8h00 as 18h00 e sáb até 12h00 ).

John John Café
Para este local, não vou fazer nenhum comentário. Visite, confira e depois dê sua opinião. Levei a minha esposa e ela ficou simplesmente encantada.

endereço: av: Estados Unidos, 392 - Comércio. tel: 71 3327-0102 ( 7h30 as 20h00 e sáb até 15h30 ).
Boa diversão.