Tudo foi planejado pela minha esposa, pois deveria haver coincidência das datas de comemoração de casamento com o período de férias. E estar em Buenos Aires, no dia 02 de outubro, seria primordial. Resolvemos criar um roteiro que atendesse aos nossos gostos em comum. Mas analisando friamente, quase todos os nossos gostos se coadunam. Creio que essa variável seja relevante para a prosperidade de nosso relacionamento. E aquilo que só basta para um, mesmo sendo esquisito, é respeitado pelo outro. Sendo assim, tenho certeza que irei escrever sobre a comemoração do nosso vigésimo ano de casamento e outros adiante e outros mais . . .
Atendendo sugestões de um brasileiro que vive lá desde a década de 90, reservamos uma mesa no Bar Thelonius. A banda que iria tocar, Scafandrum, tinha como referência "Pipi" Piazola, neto do grande músico Astor Piazola. "Pipi" é considerado um dos melhores bateristas do mundo. Chegamos meia hora antes da abertura da casa. Durante esse tempo de espera podíamos ouvir ao ensaio da banda e sentir aquela leve fragrância de marijuana. Comentamos que o show seria "calibrado". Não deu outra, foi a melhor performance que assistimos ao vivo. Era uma mistura de jazz aos moldes de Chick Corea com o sentimento portenho. Saímos de lá inebriados.
No dia seguinte fomos ao Jardim Zoológico. Passeio descontraído no bairro mais extenso de Buenos Aires: Palermo. Além do Zoo, neste bairro localizam-se o Jardim Botânico, o Jardim Japonês e o Planetário Galileu Galilei. O Zoo é muito aconchegante e o show dos leões-marinhos é imperdível. É um passeio digno de durar o dia todo. Minha esposa, que dormiria de sapatos altos por considerar elegante, até foi obrigada a comprar um par de tênis, pois a distância percorrida a pé foi significante.
Ao anoitecer, fomos ao Tango Porteño, a melhor casa de tango para o turista que quer desfrutar o glamour desse estilo que até hoje ninguém sabe qual a origem. Para os aficcionados que querem conhecer o verdadeiro tango, sem pirotecnia, aconselhamos a Esquina Osvaldo Pugliese, no bairro San Telmo.
Durante nossa estada, imbuídos num clima romântico, atravessamos a cidade de Buenos Aires várias vezes durante o dia. De trem ou de ônibus, a pé ou de taxí, íamos conhecendo cada detalhe histórico da cidade e que foge ao turista comum. E a sua arquitetura permite-nos fixar o olhar em cada local e apreciar a riqueza de detalhes. A livraria El Ateneo é um exemplo típico.
Fomos ao Museu do Holocausto, pois creio que esta questão da intolerância, da xenofobia e de todas atrocidades cometidas a partir de 1933, têm ligação direta com o sofrimento suportado pelos meus antepassados. Afinal, existiram seis campos de extermínio massivo: Auschwitz-Birkenau, Belzec, Chelmno, Majdanek, Sobibor e Treblinka, todos localizados na Polônia. Um detalhe que me chamou a atenção foi a grande quantidade de judeus ortodoxos que transitavam nas ruas paralelas à avenida Pueyrredon.
Atravessamos a cidade de taxí e fomos parar no bairro de Belgrano. Este bairro não existi no mapa de nosso guia de bolso. A demora para chegar valeu a pena. Visitamos o Museu Sarmiento. Há muito tempo que tenho apreço por este presidente. Domingos Faustino Sarmiento Albarracín foi presidente da Argentina de 1868 a 1874. Ele foi o criador da educação pública no país. O povo argentino é muito culto e politizado. Eles prezam muito a história do país. Em cada quarteirão você esbarra, no mínimo, com duas livrarias. Tenho certeza que esta situação deve-se ao presidente Sarmiento. Se cada país da América Latina tivesse na respectiva história um presidente como ele, seríamos uma potência continental.
No dia seguinte, no bairro de San Telmo almoçamos no restaurante Manolo. Local escondido entre as ruas Bolívar e Conchabamba. As paredes são cobertas por postêres, fotos e adereços futebolísticos. A primeira foto que vejo é dos jogadores Norberto Alonso e Enzo Franchescoli abraçados. Os dois jogaram no River Plate. O torcedor argentino faz questão de citar os jogadores usando-se o nome completo, como Diego Armando Maradona, Leonel Messi e Angel Amadeo Labruna. Na mesma parede há outra foto com a formação do River Plate que foi campeã dentro do estádio do grande rival Boca Juniors, em 1955. O jogo terminou 2 x 1 para o River, que jogou com Mantegari, Rossi, Vernazza, Sívori, Walter Gómes, Labruna, Venini, Carrizo, Vairo, Zárate e Sola.
Falando de futebol, o passeio mais esperado foi o de domingo. Efetuamos reserva para assistir ao jogo Boca Juniors x Vélez Sársfield. Foi a primeira vez que minha esposa assistiu uma partida de futebol ao vivo. O jogo foi emocionante. O meio campista Riquelme ( Juan Román Riquelme ) teve uma atuação simplesmente magistral. Alertei a minha esposa de que ela presenciaria o porquê do futebol ser apaixonante. A inchada (torcida do Boca) não pára um segundo sequer. Incentiva e canta do começo ao fim, independente do placar do jogo. Foi uma tarde marcante para as nossas vidas. O Boca venceu por 3 x 2.
Outros locais foram visitados e que, oportunamente serão relatados em outra postagem, como: Puerto Madero, Jockey Club, Espaço Cultural Torquato Tasso, Café Tortoni etc.
Voltamos ao Brasil com o sentimento de ter aproveitado cada segundo dessa viagem, além da consolidação de nossa cumplicidade como casal. Ainda não desarrumamos as malas e já estamos pensando na próxima aventura.
E sempre juntos.

A proxima sera para ca nao é verdade?!!!!!!!!!!1
ResponderExcluirBjos para vc e minha querida amiga a qual eu sinto uma saudade absurda.
Izadora.