Creio que tenha sido apenas um sinal de protesto, mas após ouvir diariamente a colunista da BandNews, Inês de Castro, não resisti e enviei para ela o meu comentário, como segue:
Inês de Castro, boa tarde.
Sou paulistano e moro em Salvador há dois anos. No meu veículo só ouço a rádio BandNews. E tenho alguns comentários sobre a sua coluna, como segue:
O ouvinte que ainda não tem filho e pretende tê-lo, vai pensar duas vezes antes de tomar esta decisão. Percebo que o processo educativo que você apregoa se mostra muito complicado. E esta complicação afetará sensivelmente a personalidade do educando e, em menor grau, a dos pais. Creio que, se consultássemos o líder indígena Marcos Terena, este processo seria muito mais fácil. Em todas as situações que você coloca sobre educação e comportamento, sempre existe algum complicador ou alguma restrição. Até o ato de colocar uma blusa numa criança é altamente estressante.
Em praticamente todos os aspectos da vida, no seu ponto de vista, existe um senão, um, porém, um alerta, um não. Eu compreendo que isso é uma verdade, porém no seu caso estas variáveis são bastante significativas. Eu não sei se você tem filhos, mas imagino a quantidade de conselhos que você deve dar já pensando no primeiro relacionamento sexual dele. Vislumbro um adolescente chegando ao primeiro encontro com um tratado dantesco (em PowerPoint) descrevendo o que não se deve fazer e todas as recomendações passo a passo. Confesso que eu nunca tive este tipo de conselho por parte dos meus pais. Na minha geração, os orientadores eram os amigos mais velhos e que se iniciaram com as meninas da professora tia Olga. Acho que uma situação dessa na sua família seria inadmissível.
Você deve ter assistido ao filme “O Diário de Motocicleta”. Tem uma cena onde Che Guevara se despede da família para a sua empreitada pela América Latina e seu pai, ao abraçá-lo, diz: “- Filho, você está realizando dois sonhos: o meu e o seu”. Esta cena é emblemática sobre as oportunidades que desperdiçamos e os sonhos que não concluímos. Em conversa com alguns amigos sobre esta cena, vários se dizem frustrados de não terem feito aquilo que o coração sentia, pois tiveram restrições vorazes por parte dos pais.
A forma como você orienta aos pais, leva a crer que os filhos necessitem que todos os riscos que possam ocorrer devam ser extirpados com antecedência. A sua didática limita vertiginosamente o desenvolvimento do adolescente. Aprendi que o que faz sentido para a nossa existência é o enfrentamento dos obstáculos. E é com a derrota que nos nutrimos de sabedoria para novos desafios. Como dizia Oscar Wilde, . . .”Influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma. Ela já não pensa com seus pensamentos naturais, nem arde com suas paixões naturais. As suas virtudes não são reais para ela. Os seus pecados, se é que existem pecados, são emprestados. Ela se converte em eco de uma música alheia, em ator de um papel que não foi escrita para ela. "
Inês de Castro, você leva a vida muito a sério. Acho que você nunca chegou de porre em casa. O seu automóvel deve trocar o óleo a cada 5 mil quilômetros certinhos, na pinta. Eu fico imaginado (e acho que deveriam fazer um laboratório sobre o que vou falar) qual seria o resultado de uma pessoa que fosse educada por você e pela Rosely Saião. Realmente, agora eu “chutei o balde”. Quando juntam vocês duas chega a ser hilário. Imagine qual a síntese desse experimento!!!! O que você acha que iria ocorrer com esse indivíduo? Que tipo de ser humano resultaria desse processo? Este é um questionamento que faço toda vez que ouço vocês duas. Eu até criei um diálogo sobre uma situação hipotética e qual seria a conversa de vocês, como segue:
IC: Rosely Sayão, recebi um e-mail da ouvinte Maria Bernardete, pedindo-nos uma orientação. Essa ouvinte tem um filho de 10 anos e que insiste em querer ir sozinho até a padaria da esquina comprar bala. O que você diz para essa ouvinte?
RS: Pois é Inês, é uma situação muito complexa.
IC: Realmente, hoje em dia é muito complicado. A gente não tem noção do tamanho do perigo.
RS: É verdade. Não sei se você sabe, Inês, existe um estudo da Universidade de John Hopkins, nos Estados Unidos, que comprova que para cada 500 mil crianças que saem sozinha para comprar bala, uma volta com qualquer tipo de escoriação no corpo, em decorrência de pequenas quedas.
IC: Olha, realmente é quase impossível deixar uma criança fazer isso.
RS: E tem mais, Inês, a criança pode até conseguir chegar até a padaria, mas qual é a garantia que temos de que a bala que ela vai comprar não está com a data de validade vencida?
IC: Exato, ainda mais que não tem nenhum adulto por perto para verificar essa situação. Mas Suely, como proceder neste caso?
RS: Olha, o ideal para a mãe, neste caso a ouvinte Maria Bernardete, é demonstrar autoridade.
IC: Concordo. Que, aliás, é a forma ideal de educação e orientação para os nossos filhos. Não é mesmo?
RS: É Inês, neste caso a mãe deve chamar a criança e, com toda autoridade que lhe é peculiar, dizer: - “Olha filho, você não vai comprar bala na padaria da esquina. Nós vamos verificar e, quem sabe, quando você completar 18 anos vamos negociar esta possibilidade.
IC: Muito obrigado, Rosely. Eu sou Inês de Castro, por Dentro do Espelho . . .
Inês de Castro, por favor, venha com a Suely Sayão passar o próximo Carnaval em Salvador. Aqui é uma verdadeira “esculhambação”. É o samba do crioulo doido.Vocês são minhas convidadas. Não precisa elencar quais os problemas que vocês terão aqui. Já vou adiantando que serão vários. Será um verdadeiro processo catártico e vocês precisam se purificar desse estresse e dessa rotina claudicante que vocês chamam de viver. E, lembrando Fernando Pessoa. . . “Sem a loucura o homem nada mais é que a besta-fera que procria”.
Tenha um ótimo fim de semana.

Curioso saber que meu primo está sempre sintonizado na mesma rádio. De uma forma ou de outra a sensação aproxima nossos pensamentos, não acha?
ResponderExcluirNos últimos dias, no entanto, reparei que eu mudava de estação justamente neste "programa psicopedagógico" e passei a refletir seriamente porque estaria me desligando de um assunto, para o qual eu sempre tive muito interesse.
Alguns comentários sobre as estatísticas apresentadas no programa me fizeram lembrar um e-mail rodando a bastante tempo na internet: aquele relatando como somos sobreviventes em uma série de eventos de alto risco. Um texto humorístico. Achei divertida a associação!
Passei a acompanhar com mais senso crítico exatamente os dados estatísticos e me lembrei de um comentário de meu filho (Mathias 19 anos) sobre um comentarista de futebol da televisão que não me interessa comentar o nome. Dizia ele, meu filho: não se pode apreciar a graça do jogo se o comentarista fala bobagens do tipo: a chance do chute de penalti atingir a trave naquela posição seria de X, e que se acontecesse de novo naquele jogo a ocorrência significaria uma coincidência em 1 em x mil possibilidades; ou que a última vez que o jogador fulano teria vestido a camisa de número tal teria sido na data de sabe-se lá quando...(se é que isso interessa a alguém!)
Coincidentemente cheguei a uma conclusão mais ou menos próxima da sua. Considero-me (modestamente)uma mãe bem sucedida. Também sou educadora social e professora de matérias altamente técnicas.
Irrito-me com esses excessos de comprovação de informações jornalísticas, centrada em números e referências e este cientificismo exacerbado de fenômenos absolutamente naturais.
A maioria das mulheres como eu descende de mães, que de uma forma ou de outra desempenharam minimamente e com algum sucesso a maternidade. Educar filhos não é científico ou complicado, deveria ser natural. Aliás, a vida deve ser levada com naturalidade, senão perde a graça...
Não me espanta mais ouvir notícias de adolescentes psicopatas, se eles estão sendo obrigados a viver o jogo da vida levando em consideração as estatísticas de outros, sobre as possibilidades de sucesso ou insucesso.
A minha conclusão mais pragmática: admiro ainda mais a psicóloga dos meus filhos - Sylvia von Enck Meira, que sempre mostrou o lado fácil e descomplicado das coisas!
Hey!
ResponderExcluirNao conheco as duas citadas acima, pois aqui na alemanha fica dificil ouvir radio brasileira, mas com o texto deu pra entender mto bem do que se trata! E juro que tem mta mae por aih que faz bem como essas duas falam pra fazer, por exemplo a mae da minha ex-companheira de ap! A coitada da Tina nao pode fazer nada que tah a mae em cima controlando e dando palpite e etc (e isso que ela tem 24 anos!) E qdo vejo maes assim fico feliz que a minha mae eh como eh! (Sem querer ser puxa-saco) Mas minha mae sempre foi mais de falar "te aviso que se colocar o dedo na tomada dói, agora se vc acha que deve colocar apesar disso, vc que sabe" =)
Adorei conhecer o blog de um "quase-primo", vou passar sempre por aqui
Bjos da alemanha!
Bom.. com certeza a Inês deveria escrever um livro que poderia chamar: Aprendendo a não viver.
ResponderExcluirE eu deveria dar a conta do analista para ela e para meus pais pagarem hoje. Não é a toa que temos muitos cidadãos dominados pelo medo de arriscar, pelo medo da própria criatividade, pelo medo de viver. A curiosidade de uma criança estimula sua criatividade, seu raciocínio, sua malícia. Claro que não vamos ser irresponsáveis com nossas crianças, mas Viver Aprendendendo é fundamental. Parabéns pelo comentário.
Não ouço o programa mas posso imaginar. Fico pensando na cara dela ao ler a sua carta... Vc foi ótimo. E aí teve resposta ?
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